Faz tempo que não escrevo, que não dialogo com os espaços. As nuvens andam meio cheia de vapor, combinando comigo. E como anda quente, escorre pelos olhos. O corpo que não é mais o mesmo, anda maltratado. vendo tanto, indo tanto. Quando a calma paira, passa rápido. Não queria dar espaço à triste, mas anda cabendo até sobre a virgula e ponto.
É como se eu perdesse toda a luta. Nada, tão forte me apanha e leva pra qualquer coisa, a não ser o medo. Uma linha tarde e distante dos meus olhos passa tênue. Aqui dentro do meu peito tudo se vai, e por um estante, meu corpo levanta. Era o fim de um trilho.
Em nossas melhores conversas, não dissemos nada
As palavras foram cortadas com os olhos
A água na banheira estava morna.
Nossas bocas se conheceram muito bem
Eu leio o livro em silêncio
Eu leio seus movimentos articulando as páginas
Você tem lindas mãos
O fogo de nossos corpos nos aqueceu à temperatura certa
Orvalho cristalino
As gotas pularam no cabelo preso
Sua aura borbulhante deixa a água inquieta
Como eu amo fechar meus olhos
Só para sentir essa turbulência subaquática me absorver
“Meu espelho sobrevoa a mim:
um reflexo de dor e liberdade
“preciso ser forte, preciso ser forte”
Um grito silencioso
que rasga com leveza.”
Da luz que atravessa os galhos da árvore seca com cautela e alcança a pele tão suave.
Do sentimento que toma o corpo único e urgente, incomparável, em dois segundos.
E permanecem.
Quietos.
Como dois pares de olhos sinceros quando se encontram.
Claudia (via anjoinverso)
escondido
no olhar: verdemar.
esverdeados
horizontes
- arcos glaucos -
íris
maltos céus
movediços.
um supremo teatro
de flautas
que ressonam
no alto das aspas
do infinito.
eu plantei estrelas
no breu
e inventei a luz
só pra te ver dançar…Yawk
Querido John. (via afagareis)
você ainda é o céu sobre meus muro
se mesmo que a música esteja alta,
o meu silêncio é saudade,
dor, partida;
claramente minha memória te vê tão longe,
mas aqui dentro, tu fica quentinha;
o frio e olhos secos de quem não se permite
é o medo da dor mais intima,
será?
eu sei, talvez não agora, mas saiba
o teu riso é minha coletânea preferida,
moça dos olhos verdes.
queria muito
ser a sua opção
na noite de
sexta-feira.
queria muito
ser sua balada
de sábado.
queria muito
ser o seu
tédio de domingo.
queria muito
ser seu.gorgatt
- gostaria de saber quem foi o primeiro a descobrir a eficácia da poesia em acabar com o amor!
- eu costumo considerar a poesia como o alimento do amor.orgulho e preconceito.
me faz parar e pensar, que talvez, eu não ame todas as suas idiossincrasias (pois as odiaria se elas fossem de outra pessoa).
o que estou tentando dizer é que não importa suas manias. nem medos. nem dramas. eu só quero poder presenciar suas peculiaridades. te viver. te sentir.
o rastro da voz ecoa no tom gritante
de lá, se foi, ralo e instante
como um reciclar
uma tomada de luz que se incendia
na terra, o peito, o choro, cheiro de lírio
flor do galho que cai e se esbarra
na terra úmida, dum dia de chuva
brando olhos quietos…